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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pnad 2009: Idade e localização dos analfabetos no país dificultam redução das taxas, diz ministro

Pnad 2009: Idade e localização dos analfabetos no país dificultam redução das taxas, diz ministro

Fernando Haddad ressalta que idade média do analfabeto no Brasil é de 56 anos
Atrair uma população idosa e moradora do campo para retornar às salas de aula é o principal desafio para reduzir as taxas de analfabetismo no país, avaliou o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE) de 2009, divulgada nesta quarta-feira (8/9), o Brasil tem atualmente 14 milhões de analfabetos, o que representa 9,7% da população acima de 15 anos.

De acordo com Haddad, nas áreas urbanas, na população entre 15 e 49 anos, a taxa de analfabetismo é inferior a 4%. Ele ressaltou ainda que a idade média do analfabeto no Brasil é de 56 anos. "É uma população dispersa pelo território e economicamente ativa. São pessoas que só teriam a noite ou o fim de semana para estudar. Não é uma tarefa qualquer."

Em 2000, o Brasil assinou acordo internacional com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) comprometendo-se a reduzir em 50% a taxa de analfabetismo até 2015. Isso significa chegar ao patamar de 6,7% em seis anos. As últimas edições da Pnad mostraram que a queda tem sido lenta. De 2007 para 2008 foi de 0,1% e de 2008 para 2009, de 0,3%.

Na avaliação do ministro, será necessário um "esforço adicional" para atingir essas metas. Segundo ele, é preciso continuar apostando na colaboração com municípios para chegar até essa população. "Acredito que o próximo censo [do IBGE] será uma grande instrumento para promover as alterações necessárias para acelerar o passo", afirmou. De acordo com ele, o censo trará um diagnóstico mais preciso do problema, permitindo o trabalho com prefeituras e regiões onde as taxas são mais altas.
(Amanda Cieglinski, da Agência Brasil, 9/9)

Pnad 2009: Analfabetismo cai, mas ritmo ainda é lento

Pnad 2009: Analfabetismo cai, mas ritmo ainda é lento

Taxa de analfabetismo no país recuou para 8,9%, mas 1 em cada 5 brasileiros é analfabeto funcional; relatório do Pnad mostra que taxas mais altas estão concentradas entre os mais idosos
De 2008 para 2009, o número de analfabetos com dez anos ou mais no Brasil caiu mais que de 2007 para 2008, mas o ritmo da redução continuou lento. Enquanto na Pnad 2008 a taxa praticamente não se alterara em relação ao ano anterior, passando de 9,3% para 9,2%, na pesquisa de 2009 o indicador passou a 8,9% - menos 0,3 ponto.

Mesmo assim, no ano passado 14,533 milhões de brasileiros desse grupo etário não sabiam ler nem escrever, ante 14,736 milhões em 2008. Na faixa de 15 anos ou mais, em 2009, pela primeira vez a taxa ficou abaixo de 10% (porcentual de 2008), chegando a 9,7% - 14,1 milhões de pessoas. De 2004 a 2009, a redução foi de apenas 1,8 ponto.

No analfabetismo funcional - pessoas com menos de quatro anos de estudo - chegou-se a 20,3%: um em cada cinco brasileiros. O indicador recuou 0,7 ponto sobre 2008 e 4,1 sobre 2004. "A maior concentração de analfabetos foi registrada entre as pessoas pertencentes aos grupos de idade mais elevada: 92,6% deles tinham 25 anos ou mais", diz o relatório, Entre quem tinha de 10 a 14 anos, em 2009 a taxa era 2,5%; entre 15 e 17 anos, 1,5%; de 15 a 24 anos, 1,9%.

A partir daí, o indicador dá um salto, ultrapassando a média nacional na população com mais de dez anos: 10,3% para a faixa de 18 anos ou mais e 12% para quem tinha 25 anos ou mais. Em todos os grupos etários, houve recuo, com destaque para o grupo mais velho, cuja proporção, em 2008, era 12,4%. O porcentual de analfabetos com 10 anos ou mais em 2009 era maior entre homens (9,1%) que mulheres (8,8%).

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, o analfabetismo é produto de uma sociedade que "num passado não muito distante tinha um estoque de analfabetos muito alto, quando a população era jovem".

"Essa população vem envelhecendo. Então, aquele estoque de pessoas que no passado eram jovens e analfabetas hoje são idosas e analfabetas. É isso que faz a taxa de analfabetismo ficar num patamar alto e portanto sua queda seja lenta", explica Nunes. "Agora, da população até 14 anos e de 14 até 25, o padrão de analfabetismo no Brasil é igual ao de países desenvolvidos", ressalta.

Os números da Pnad 2009 corroboram essas afirmações. Segundo o estudo, se a observação for restrita a quem tem 50 anos ou mais, a taxa de analfabetismo no ano passado chegava a 21% no Brasil e a 40,1% no Nordeste. É justamente no Nordeste que a taxa de analfabetismo, em 2009, era maior, situação já verificada em Pnads anteriores. Mas foi na mesma região que houve o maior recuo: de 17,7% para 17%, menos 0,7 ponto.

No Norte, caiu de 9,7% para 9,6%; no Sudeste, de 5,4% para 5,2%; e no Centro-Oeste, de 7,4% para 7,3%. No Sul, ficou em 5%. As diferenças se repetem no analfabetismo funcional: em 2009, 30,8% dos nordestinos estavam nessa situação, ante 31,6% em 2008 e 37,4% em 2004.

Mão de Deus

"O problema do analfabetismo se resolve pela mão de Deus: os analfabetos morrem", diz o especialista em educação Claudio de Moura Castro. Para ele, como o sistema não produz mais novos analfabetos e alfabetizar a partir "dos vinte e tantos anos" não funciona, as taxas de analfabetismo no país cairão lentamente, nos próximos anos. "São estatísticas inerciais. Até a velhinha de 100 anos analfabeta está puxando o número para baixo."

A falta de investimento e a dificuldade de implementar métodos pedagógicos atraentes são os principais entraves para a erradicar o analfabetismo no país, segundo especialistas. "Os programas têm enorme dificuldade em manter essas pessoas estudando. A evasão é muito grande", diz Mozart Ramos, do movimento Todos Pela Educação. "Por mais que se faça um esforço inicial grande em identificar e matricular esses adultos, eles não aguentam por muito tempo."

Para o diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ, Marcelo Neri, quanto mais avançada a idade, mais difícil é a inclusão em políticas de alfabetização. "Por isso os programas são caros e pouco eficientes."
(Wilson Tosta)
(Mariana Mandelli)

'Um cidadão não educado atrapalha a sociedade", entrevista com Daniel Cara

A pequena queda no número de analfabetos e a estagnação da taxa de escolaridade não são problemas apenas da educação brasileira, mas sim de todas as políticas públicas do país, explica Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, organização da sociedade civil que defende os direitos educacionais.

- Podemos comemorar os números da Pnad?

Não. A queda na taxa de analfabetismo, de 0,3% (acima dos 10 anos), e o aumento da escolaridade (entre 6 e 14 anos), de 0,1%, são muito pequenos. No caso do analfabetismo, o Brasil está 10 anos atrasado - a erradicação estava prevista para a década seguinte à Constituição de 1988. Caminhamos lentamente.

- Quais são os maiores entraves para erradicá-lo?

O Brasil precisa ter consciência de que os "remédios" usados até agora não surtiram efeito. Os investimentos em alfabetização do Ministério da Educação estão sempre aquém de outros programas. Precisamos também de novos arranjos pedagógicos. Os que existem não seguram o adulto analfabeto na escola, porque depois de uma vida inteira fora dela, fica difícil para ele se identificar com esse ambiente. O maior problema é que a educação não faz sentido na vida dessas pessoas.

- E como desenvolver nelas o interesse pela educação?

A sociedade brasileira não vê a educação como um bem. Isso se dá somente no âmbito pessoal e familiar. Quando analisamos o todo, percebemos que aqui não se valoriza a educação. No caso dos analfabetos, temos de fazer com que eles percam a vergonha de uma culpa que não é deles, mas sim de um problema estrutural de governo que se arrasta há décadas. E isso se dá no ambiente comunitário, incentivando a autoestima deles. Um cidadão não educado atrapalha a sociedade.

- Como podemos avançar nas taxas de escolarização?

Quem está fora da escola são, basicamente, crianças com deficiência. A solução não passa apenas pela educação, mas sim por áreas como saúde e assistência social. E também pela maior transferência de recursos da União para os municípios - são eles quem vão identificar e cuidar dessas crianças.
(O Estado de SP, 9/9)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Associativismo, Auto-Mobilização, Ativismo Urbano & Qualidade de Vida na Cidade de Lisboa

Nesta sexta-feira (10.09), às 10 horas, acontece a palestra Associativismo, Auto-Mobilização, Ativismo Urbano & Qualidade de Vida na Cidade de Lisboa, proferida pelo Professor Manual Villaverde Cabral, no IPPUR / UFRJ. Mais uma das atividades promovidas pelo Observatório das Metrópoles, a palestra versará sobre um dos atuais temas de interesse do professor, o da sociologia das atitudes e comportamentos políticos, nomeadamente o exercício da cidadania democrática nas suas relações com a história política portuguesa e com a estratificação e a equidade sociais.

Manuel Villaverde Cabral é investigador coordenador e presidente do conselho directivo do ICS-UL. Tem Doutorado em História pela EHESS - Universidade de Paris I. É organizador, juntamente com Filipe Carreira Silva e Tiago Saraiva, do livro Cidade&Cidadania cujos artigos giram em torno do tema da nova cultura política nas metrópoles.

O professor português coordena por parte do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa a pesquisa articulada a partir da rede International Social Survey Program - ISSP, com parceria com o Observatório das Metrópoles e o Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro através do projeto Cidade, cidadão, cidadania.

A cidade e o teatro. O Rio de Janeiro Imperial

Na próxima segunda-feira (13/09), às 09:30, acontece a Oficina Mensal de Planejamento Urbano do IPPUR / UFRJ. O tema desta oficina é A cidade e o teatro. O Rio de Janeiro Imperial . O expositor é Antonio Herculano Lopes - Pesquisador em História da Fundação Casa de Rui Barbosa. Doutor em Estudos de Performance (New York University); organizador e co-autor, entre outras publicações, de “Entre Europa e África: a invenção do carioca”.


Resumo: “A vinda da corte de D. João para o Rio de Janeiro fez com que o teatro se tornasse uma atividade central na vida da cidade. Esta, por outro lado, passou a ser tematizada, sobretudo com a independência e com o estabelecimento de companhias e de uma dramaturgia nacionais. Assuntos como a vida moderna, mudanças nos papeis das mulheres, relações interétnicas e interclasses e a representação da nação tiveram como pano de fundo uma cidade vista como metrópole e ponta de lança da inserção do país na civilização. Esta oficina se propõe a discutir tais representações da cidade a partir da obra de alguns dramaturgos do Oitocentos fluminense.”

A participação é livre, sem necessidade de inscrição. Aos interessados, há possibilidade de solicitar declaração de participação.

sábado, 4 de setembro de 2010

Universidade de São Paulo lança biblioteca digital de cartografia histórica

Universidade de São Paulo lança biblioteca digital de cartografia histórica
Fonte: MundoGeo


O Projeto Dimensões do Império Português/Cátedra Jaime Cortesão, o Instituto de Estudos Brasileiros e o Centro de Informática de São Carlos da Universidade de São Paulo convidam para o lançamento da Biblioteca Digital de Cartografia Histórica.


A Biblioteca Digital de Cartografia Histórica da USP reúne a coleção de mapas impressos do antigo Banco Santos - atualmente sob custodia do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), conforme determinação da Justiça Federal. Além de disponibilizar os mapas em alta resolução, o site oferece informações carto-bibliográficas, biográficas, dados de natureza técnica e editorial; assim como verbetes explicativos que procuram contextualizar o processo de produção, circulação e apropriação das imagens cartográficas.


Com lançamento marcado para dia 1 de setembro de 2010, às 11h30, o evento será realizado no Auditório IEB, na Avenida Professor Mello Morais, Travessa 8, Número 140, na Cidade Universitária, em São Paulo.




Links:
http://www.saocarlos.usp.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3359&Itemid=1

http://www.mapashistoricos.usp.br/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"A Batalha do Chile III: O Poder Popular"

"A Batalha do Chile III: O Poder Popular"


Direção de Patricio Guzmán
1979
Documentário 82 min.
Legendas em português

26 de agosto
quinta-feira
a partir das 18h30

na ABI
(Associação Brasileira de Imprensa)
Rua Araújo Porto Alegre, 71 - 7° andar
Centro (próx. ao metrô Cinelândia)



Sinopse:

Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho. Dividido em três partes (“A Insurreição da Burguesia”, “O Golpe de Estado” e “O Poder Popular”), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais consequências do Golpe de Estado que, em 1974, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.

O poder popular (1979): Durante 1972 e 1973 (à margem dos grandes acontecimentos) as camadas populares que apóiam o governo de Salvador Allende organizam e põem em marcha exemplos de "poder popular": armazéns comunitários, núcleos industriais e comitês camponeses, com a intenção de neutralizar o caos e superar a crise econômica. Na realidade estas instituições espontâneas representam um "Estado" dentro do Estado e são também a ilusão (o sonho) da utopia.




Após a exibição do filme, haverá debate.
Serão concedidos certificados aos participantes.

Os 25 primeiros que chegarem terão direito a pipoca e guaraná grátis!

cortesia: Sindipetro-RJ

apoio: ABI Associação Brasileira de Imprensa

realização: Casa da América Latina